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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA DISCIPLINA DE ENGENHARIA BIOQUÍMICA |
Ácidos nucléicos
Na natureza há dois tipos de
ácidos nucleicos:
DNA ou ácidodesoxiribonucleico e RNA ou ácido ribonucleico. Analogamente a um sistema de comunicação,
essas informações são mantidas dentro da célula em forma de código, que no caso
denomina-se código genético.
Em sua estrutura
primária, os ácidos nucleicos (DNA e RNA) podem ser
vistos como uma cadeia linear composta de unidades químicas simples chamadas
nucleotídeos. Um nucleotídeo é um composto químico e possui três partes: um
grupo fosfato, uma pentose (molécula de açúcar com cinco carbonos) e uma base
orgânica (Figura 3). Nas moléculas de DNA a pentose é uma desoxiribose
enquanto que nas moléculas de RNA a pentose é uma ribose. A base orgânica,
também conhecida como base nitrogenada, é quem caracteriza cada um dos
nucleotídeos, sendo comum o uso tanto do termo seqüência de nucleotídeos quanto
o termo seqüência de bases. As bases são adenina (A),
guanina (G), citosina (C), timina (T) e uracila (U), sendo as duas primeiras
chamadas de purinas e as três últimas chamadas de pirimidinas. No DNA são
encontradas as bases A, G, C e T. No RNA encontra-se a base U ao invés da base
T.

Figura 1.
Exemplo da estrutura de um nucleotídeo
A ligação entre os
nucleotídeos (ligações fosfodiéster) de uma cadeia
linear é feita entre o grupo químico chamado hidroxil
(OH) ligado ao terceiro carbono da pentose de um nucleotídeo, e o fosfato do
nucleotídeo seguinte ligado ao carbono 5 da pentose do
mesmo (Figura 2). Por convenção, as seqüências são representadas na orientação 5' 3'.

Figura 2. Representação
das ligações entre os nucleotídeos da mesma fita.
Moléculas de DNA
compõem-se de duas fitas, que ligam-se entre si
formando uma estrutura helicoidal, conhecida como hélice dupla. As duas fitas
unem-se pela ligação regular das bases de seus nucleotídeos. A base A sempre liga-se
a base T (por 2 pontes de hidrogênio) e a base G sempre liga-se a base C (por 3
pontes de hidrogênio)(Figura 5). As duas fitas são anti-paralelas, ou seja, as fitas possuem orientação
5' 3' opostas uma em relação a outra.

Figura 3:
Ligações entre as cadeias de DNA
O RNA é uma molécula
intermediária na síntese de proteínas, ela faz a intermediação entre o DNA e as
proteínas.
Ele é formado por uma
cadeia de ribonucleotídeos, que, por sua vez, são
formados por um grupo fosfato, um açucar (ribose), e
uma base nitrogenada (veja abaixo).

Figura 4:
Formato do RNA
Esses ribonucleotídeos são ligados entre si através de uma
ligação fosfodiéster entre o carbono 3' do nucleotídeo de "cima" e o carbono 5' do
nucleotídeo de "baixo" (veja figura).

Figura 5:
Ligação fosfodiéster da cadeia do RNA
As principais diferenças
entre o RNA e o DNA são sutis, mas fazem com que o último seja mais estável do
que o primeiro. O RNA é formado por uma fita simples, o açúcar de seu esqueleto
é a ribose e uma de suas bases pirimídicas
(de anel simples) é diferente da do DNA. Ele possui Uracila ao invés de Timina.
Veja a estrutura química das bases do RNA:

Figura 6: Bases
Nitrogenadas do RNA
Os principais tipos de
RNA são os RNAs mensageiros
(mRNAs), os transportadores (tRNAs)
e os ribossomais (rRNA). Os
RNAs mensageiros são aqueles
que codificam as proteínas e que devem ter seus códons
lidos durante o processo de tradução. Os RNAs
ribossomais fazem parte da estrutura do ribossomo,
junto com diversas outras proteínas e são eles que catalisam a ligação entre
dois aminoácidos na síntese de proteínas. Os RNAs transportadores são aqueles que fazem a conexão
códon-aminoácido pois carregam um aminoácido específico de acordo com seu
anticódon (complementar ao códon do mRNA).
É interessante notar
que, por ser uma fita simples, o RNA pode formar pontes intracadeia,
o que faz com que ele possa ter uma infinidade de arranjos tridimensionais,
importantes em sua função.

Figura 7:
Fita simples do RNA.