FUNGOS

 

Por muito tempo os fungos foram considerados vegetais mas a partir de 1969, foram classificados em um reino à parte, o Reino Fungi (TRABULSI et al., 1999). São tambem conhecidos como bolores, mofos ou cogumelos, estão interferindo constantemente em nossas atividades diárias.

Características

Os fungos constituem um grupo de organismos em que não ocorre clorofila (são heterótrofos). São geralmente filamentosos e multicelulares. O crescimento é em geral apical, mas normalmente qualquer fragmento hifálico pode dar origem a outra formação micelial quando destacado e colocado em meio apropriado. As estruturas reprodutivas são diferenciadas das vegetativas, o que constitui a base sistemática dos fungos (PUTZKE e PUTZKE, 1998). Alguns podem ser microscópicos em tamanho, enquanto outros são muito maiores, como os cogumelos e fungos que crescem em madeira úmida ou solo. Os fungos formam esporos, que são dispersos por correntes de ar (PELCZAR et al., 1996), encontrando-se no solo, na água, nos vegetais, em animais, no homem e em detritos, em geral (TRABULSI e TOLEDO, 1996).

O Reino Fungi é dividido em cinco filos: Oomycota que compreende os fungos aquáticos: Zygomycota os fungos terestres; Ascomycota as trufas, bolores verdes, amarelos e vermelhos; Basidiomycota os cogumelos, ferrugens e carvões; Deuteromycota fungos do tipo Penicillium.

Reprodução

Os fungos se reproduzem em ciclos assexuais, sexuais e parassexuais. A reprodução assexuada ocorre através de brotamento, fragmentação e produção de conídios. A reprodução sexuada culmina na produção de basidiósporos, no caso de basidiomicetos.A reprodução parassexuada consiste na fusão de hifas e formação de um heterocarion que contém núcleos haplóides. Apesar de ser raro, o ciclo parassexual é importante na evolução de alguns fungos (PELCZAR et al.., 1996).

Nutrição

De acordo com a nutrição, os fungos são classificados em duas categorias: saprófitas (ou sapróbios) e parasitas. Os saprófitas se alimentam de matéria orgânica animal ou vegetal morta e os parasitas vivem dentro de ou sobre organismos vivos (animais ou vegetais), deles retirando seus alimentos, absorvem nutrientes em vez de ingeri-los, secretando enzimas digestivas no substrato onde se desenvolvem. Essas enzimas catalisam a quebra de moléculas grandes em moléculas suficientemente menores para serem absorvidas pela célula fúngica. Por essa razão, os fungos crescem dentro ou sobre os alimentos (RAVEM, 2001).

Desenvolve-se geralmente em meios contendo um pH baixo, uma fonte de carbono uma fonte de nitrogênio orgânico ou inorgânico e alguns minerais. Alguns necessitam de vitaminas. (PELCZAR et al., 1996).

Utilização

Os fungos são muito utiliuzados industrialmente como o Penicillium (Figura 01) utilizado na fabricação da penicilina e o Aspergillius niger na fabricação da progesterona e ácido cítrico, na obtenção de exopolissacarídeos com potencial terapêutico (ROSADO et al., 2003; WISBECK et al., 2002; FAN et al., 2001; MAZIERO et al., 1998; BURNS et al., 1994), como integradores e aromatizadores de alimentos como sopas e cremes (SOLOMONS, 1975), na maturação de queijos do tipo roque fort e camembert (Figura 02), e na fabricação do saque vinho de arroz pelo fungo Aspergillus orysae.

Figura 01:Penicillium notatum

Figura 02: Queijo maturado por fungos.

 

E quando cultivados em meio sólido formam corpos frutíferos de grande valor gastronômico (BONATTI, 2001) como o champignom (Agaricos) (Figura 03) e o fungi (Pleurotus) (Figura 04).

Figura 03: Champignom (Agaricus).

Figura 04: Fungi (Pleurotus ostreatus).

 

Os fungos támbem são causadores de muitas doenças como,micoses na pele ou nas unhas, rinites, bronquites, asma e nas plantações de café, milho e feijão causam a ferrugem que é uma praga que pode destruir plantações.

 

LEVEDURAS

 

As leveduras são fungos unicelulares, isto é, formados por uma única célula e, geralmente, não formam filamentos com micélio. São maiores que a maioria das bactérias, podem ter forma oval (Figura 05), podendo ser alongadas e esféricas. As leveduras gostam de açúcar preferindo como habitat, frutas, flores e as cascas das árvores.

Figura 05: Levedura

 

As leveduras se reproduzem assexuadamente multiplicado-se por brotamento, processo pelo qual na superfície da célula adulta (célula mãe) desenvolve-se uma pequena saliência (célula-filha) que se transformará numa nova célula

As leveduras são capazes de crescimento anaeróbio facultativo. Podem utilizar oxigênio ou um componente orgânico como aceptor final de elétrons, sendo um atributo valioso porque permitem que esses fungos sobrevivam em vários ambientes. Se é dado acesso a oxogênio, as leveduras respiram aerobicamente para metabolizar hidratos de carbono formando dióxido de carbono e água; na ausência de oxigênio elas fermentam os hidratos de carbono e produzem etanol e dióxido de carbono

Utilização

Saccharomyces cerevisiae, S. ellipsoideus e S. calbergensis, são agentes normais da fermentação alcoólica utilizada na fabricação de vinhos, cervejas e fermentos.

Zygosaccharomyces, tem capacidade de se desenvolverem em líquidos com alta concentração de açúcar. E por isso, responsáveis pela deterioração de mel, melaço e xaropes.

Schizosaccharomyces, muito comum na superfícies de frutos, no solo, no bagaço e em substratos.

Picchia, Hansenula e Debaryomyces responsáveis pela formação de filme na superfície de líquidos de origem vegetal, ácidos.

Endomyces vernalis , utilizável na síntese de produtos graxos.

Endomyces fiberliger, levedura capaz de produzir amilase.

 

Referências Bibliográficas

 

<http//www.estudanet.hpg.ig.com.br/fungos1.htm>, acesso em 06 de julho 2004.

BONATTI, Mariane. Estudo do potencial nutricional de cogumelos do gênero Pleurotus cultivados em resíduos agro-industriais. 2001. Dissertação (Mestrado em Engenharia Química) &ndash Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.

BURNS, P. J., YEO, P., KESHAVARZ, T., ROLLER, S., EVANS, C. S. Physiological Studies of exopolysaccharide production from basidiomycetes Pleurotus s.p Florida, effect of C and N souce on polysaccharide production for potencial as a hypocholesterolemic, antitumor and a fat mimetic. Enzime Microbiology Technology, n. 34, 566-572.

FAN, Leifa et al. Efeito de diferentes fontes de carbono e nitrogênio na produção de biomassa de Agaricus blazei LPB03 em fermentação submersa. VII Encontro Regional Sul de Ciencias e Tecnologias de Alimentos, Paraná, 2001.

MAZIERO, R.; CAVAZZONI, V.; BONONI, V. L. R.Screening of basidiomycetes for 0the production of exopolysaccharide and biomassin submerged culture. Revista de Microbiologia, v.30, p.77-84, 1998.

PELCZAR, M. J., CHANG, E. C. S., KRIEG, N. R. Microbiologia: conceitos e aplicações, Volume II, 2ª ed. São Paulo: Makron BooKs, 1996.

PUTZKE, Jair; PUTZKE, Marisa Terezinha Lopes. Os reinos dos fungos. Santa Cruz do Sul, RS: EDUNISC, 1998.

RAVEN, P. H., et al. Biologia Vegetal. 6ª ed. Rio Janeiro: Editora Guanabara KOOGAN, 2001.

ROSADO, F. R. et al. Biomass and exopolysaccharide production in submerged cultures Pleurotus ostreatoroseus sing and Pleurotus ostreatus florida (Jack: Fr) kummer. Journal Basic Microbiol, v. 43, n. 3, p. 230-237, 2003.

SOLOMONS, G. L. The filamentous fungi. 1975.

TRABULSI, Luiz Rachid; TOLEDO, Maria Regina Fernandes de. Microbiologia. 2. ed Sao Paulo: Atheneu, 1996.

TORTORA, G. J., et al. Microbiologia. 6ª ed. Porto Alegre: Artemed, 2000.

WISBECK, E.; FURLAN, S.A.; NINOW, J. Influencia do pH e do Kla na produção de biomassa de Pleurotus ostreatus DSM 1833 em cultivo submerso. In: XIV Simpósio Nacional de Fermentação- SINAFERME. Florianópolis &ndash SC, 5 a 8/08/2003.